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	<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 17:15:52 +0000</pubDate>
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		<title>O Cocô</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 20:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rubens Dultra</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Privada]]></category>

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		<description><![CDATA[Ou como perder a sua identidade secreta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo tem uma identidade secreta. Todo mundo, não adianta negar. Eu tenho, você tem, seus pais têm, o papa tem. E a coisa começa cedo.</p>
<p>A primeira lembrança que eu tenho de me esconder sob um manto anônimo, ainda é da infância, apertando o botão da campainha da casa dos vizinhos e saindo correndo. Às vezes, nem corria! Fingia que estava andando por ali e olhava com expressão de censura para um dos lados da rua, como que reprovando o moleque sem educação que tinha feito aquela traquinagem e disparado para longe. Assim eu podia ver a reação ranzinza do dono (ou, mais freqüentemente, da dona) da casa.</p>
<p>De vez em quando somos pegos em flagrante, desmascarados, como um super-herói humilhado. E, pior ainda, há casos em que somos obrigados a confessar, expondo nossa figura à execração pública. Foi o que aconteceu ao meu irmão quando ele tinha cerca de dez anos. O pobrezinho recebeu a mesada (quase nada, como é adequado a uma criança desta idade) e correu para a loja de mágicas. O lugar, além dos truques de prestidigitação, oferecia aqueles brinquedos sacanas e irresistíveis, que as pessoas geralmente acham de mau gosto, mas, ao perceber alguém prestes a ser vítima de um destes, não arredam pé até ver o infeliz ser feito de bobo. Entre os trotes à venda, havia o clássico cocô de papel machê. Praticamente, toda a mesada do meu irmãozinho foi trocada por aquela merda que, apesar de não ter cheiro, tinha uma aparência úmida bem desagradável.</p>
<p>A primeira vítima escolhida foi a casa das quatro irmãs bonitonas que moravam perto. Toda a turma da rua se escondeu atrás de um carro estacionado, que oferecia uma visão de camarote ao evento que se seguiria. Meu irmão colocou com cuidado o monolito escatológico bem em frente à porta da casa, tocou a campainha e veio correndo se juntar a nós, no camarote. Dona Nair, a mãe das meninas, abriu cautelosamente a janelinha da porta (nos idos de 1973, isto era precaução de segurança suficiente). Olhou para os lados, procurando quem havia tocado a campainha e quando, resignada, já ia fechar a janelinha, percebeu o impávido colosso. Encarou a estatueta espiralada brilhante por uns dez segundos, como se pensasse no que fazer, deixou a janelinha aberta e entrou.</p>
<p>A reação dela foi bem menor do que esperávamos - queríamos vê-la praguejando, com uma cara de nojo, sei lá! Mas o fato dela ter deixado a janelinha aberta, dava a impressão de que a história ainda não havia terminado. Meu irmão estava receoso de ir lá e pegar o seu cocô, pois a janelinha sugeria que ela poderia estar de tocaia, espiando do lado de dentro. Esperamos aproximadamente eternos dois minutos, até o meu irmão decidir que não havia mais perigo. Justamente quando ele pensou em se mexer para buscar o seu tesouro marrom, a dona Nair volta. Com uma vassoura, uma pá, uma folha de jornal e um balde cheio de areia.</p>
<p>A paciente senhora virou a areia sobre a merda de mentira. Curvou-se com a pá e a vassoura, recolheu tudo, depositou sobre o jornal, fez um embrulho, colocou no balde e voltou para dentro. Saiu novamente com a vassoura e o mesmo balde, desta vez com água e sabão. Despejou o conteúdo sobre o local, esfregou um pouco com a vassoura e se recolheu.</p>
<p>Nós, no camarote, nos contorcíamos para não rir alto, menos o meu irmão, que, com a cara amuada, ia vendo o seu investimento sendo tragado pelo lixo logo na primeira vez que fora usado.</p>
<p>Os quinze minutos que se seguiram foram uma importante lição para o meu irmão e para qualquer um da nossa turma que tivesse a rara habilidade de aprender com a experiência alheia. O coitado precisava tomar uma decisão. Ou mandava a merda à merda (o lixeiro passaria na rua ainda naquela tarde), ou tomava uma atitude. E foi o que ele fez.</p>
<p>Com a maior cara de pau do mundo, expressão humilde e arrependida, tocou novamente a campainha da casa das meninas. Dona Nair abriu a janelinha.</p>
<p><em> - Oi, Cacá. As meninas estão na escola.</em></p>
<p><em> - Eu sei, dona Nair, não é isso. Sabe aquele cocô que a senhora guardou? É meu. A senhora pode me devolver?</em></p>
<p>Ele estava ali, exposto a qualquer reação da dona Nair. Ela mandou que ele esperasse, entrou e voltou com o embrulho de jornal. Ao entregá-lo ao meu irmão, com a sua sabedoria, percebeu que o menino já estava sendo castigado suficientemente, apenas pela situação em que havia se metido. Deu-lhe uma pequena bronca, afinal não podia deixar a arte passar em branco.</p>
<p>E foi assim, implorando pelo seu cocô, que se desintegrou a máscara de Zorro do meu irmão, junto com a sua dignidade. Foi um choque terrível e demorou quase duas horas para ele superar o trauma e voltar a ser a mesma pessoa que era antigamente.</p>
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		<title>Cidade catótica</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 17:48:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marco Aurélio Gois dos Santos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Acuma?]]></category>

		<category><![CDATA[Cidade]]></category>

		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

		<category><![CDATA[trânsito]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quem diga que São Paulo é uma cidade sem identidade. Mas há um comportamento profundamente arraigado entre os habitantes de São Paulo, e que pode ser considerado a grande característica comum: o ato de tirar catota no trânsito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem diga que, por conter tantas culturas e identidades diferentes, São Paulo é uma cidade sem identidade. Pura bobagem. Tudo bem, é verdade que não há comida típica paulistana, nem música popular paulistana, nem folclore paulistano. Mas há — e isso ninguém pode nos tirar — um comportamento profundamente arraigado entre os habitantes de São Paulo, e que pode ser considerado a grande característica comum: o ato de tirar catota no trânsito.</p>
<p>Se você que lê estas linhas está agora ao volante, solicito encarecidamente que PARE DE LER e preste atenção na porra do trânsito. Caso contrário, peço que dê uma olhada para o lado da próxima vez que parar num semáforo. Arrisco dizer que há sete ou oito chances em dez de que seu vizinho de trânsito esteja com pelo menos a falangeta dentro de pelo menos uma narina. Uma colega gaúcha diz que os catoteiros foram seu maior choque ao trocar as ruas de Porto Alegre pelas da terra da garoa. Certa feita, disse a um sujeito de Nova Iorque que o povo de São Paulo era adepto do nose picking. Ele disse que isso era louvável. Só depois, quando o cara já tinha voltado para a civilização, me dei conta de que, graças à minha pronúncia maravilhosa, ele tinha entendido no speaking. Deve estar até hoje contando aos amigos sobre a admirável introspecção dos paulistanos.</p>
<p>Muito bem, alguns podem dizer , torcendo (ou cutucando) o nariz, que a sondagem dígito-nasal não é privilégio exclusivo dos paulistanos. É verdade. Mas pessoas de outras plagas são mais discretas: retiram-se da vista alheia para praticar o ato, ou pelo menos o fazem disfarçadamente, aproveitam aquela coçadinha no nariz e tal. Os motoristas paulistanos, por sua vez, catoteiam com empáfia, quase com orgulho. Deve ter alguma coisa a ver com a poluição, é verdade. Imagine a quantidade de fuligem que nos entra pelas narinas após uma hora e meia de tráfego intenso na Marginal Tietê. Aquela sujeira toda irrita as vias respiratórias, se mistura com o muco nasal e… Bom, acho que não preciso explicar em detalhes.</p>
<p>Não podemos, no entanto, botar a culpa somente no ar imundo da cidade. Eu diria que a causa maior é a relação que o paulistano tem com o carro. Para nós, o automóvel não é só um meio de transporte: é extensão de nosso lar, é nosso domínio, nosso habitat, nosso reino sobre quatro rodas. Sentimo-nos totalmente à vontade dentro de nossas máquinas: cantamos, batucamos no painel, falamos sozinhos, soltamos gases e — claro — catamos catota. O interior do carro nos dá a ilusão de privacidade, e é muito fácil esquecer que estamos cercados por vidro translúcido.</p>
<p>E assim, à vontade, vão os paulistanos catoteando pela vida. Uns são recicladores conscientes, e tratam de consumir imediatamente tudo o que tiram do nariz. Outros têm vocação para decorador, e distribuem suas catotas em belos padrões pelo painel do carro, no volante, no teto. Há aqueles que são tímidos e escondem seu produto sob o banco (se as lojas de carros usados dessem 10 reais de desconto por catota encontrada sob o banco do motorista, estariam todas falidas). Existem também aqueles desapegados, que se desfazem de suas bolinhas com um jeitoso piparote. E nem olham para trás.</p>
<p>Já prevejo a reação de alguns cidadãos indignados da metrópole, prontos a me atirarem pedras (ou catotas). Antes que o façam, porém, peço que reflitam por um momento. Finalmente nós, os paulistanos (que somos baianos, paranaenses, japoneses, portugueses, italianos, lituanos, coreanos, judeus, acreanos, libaneses), temos algo que nos une. Isso há de valer alguma coisa, não?</p>
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		<title>Gênese</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2008 23:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rubens Dultra</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Vida Privada]]></category>

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		<description><![CDATA[O Nascimento de uma Gíria]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todo mundo, uma vez ou outra na vida, já se perguntou como é que nasce uma piada. Esta é uma dúvida que eu não posso ajudar a solucionar. Algumas pessoas também se perguntam como é que nasce uma gíria. É aí que eu posso ser útil.</p>
<p>Nos idos de 1979, eu já contava dezoito anos, mas não tinha um carro. Durante toda a adolescência, sonhava completar os dezoito para aprender a dirigir e dar umas voltas com o Chevette da família nos fins de semana, mas, por algum motivo, havia oito meses que eu já estava na minha primeira maioridade (a segunda seria aos vinte e um) e ainda não tinha me matriculado na auto-escola.</p>
<p>Na época, eu tinha um companheiro inseparável de boemia, o Ronaldo. Vivíamos nas noites do Bexiga, o bairro noturno da moda naqueles tempos. Barzinhos, saraus, cineclubes, feiras de artes e antiguidades, festas na rua - tudo acontecia por lá. Nós, cheios de hormônios implorando por atividade, nos esgueirávamos pelas entranhas do bairro, procurando lugares com muitas garotas e poucos homens. Não raramente, estas saídas começavam na sexta-feira à noite e só terminavam na segunda de manhã.</p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Às vezes eu ando sem nunca chegar,<br />
Porque eu não quero ir à nenhum lugar.<br />
Eu ando à noite, ando por andar, até que amanheça.</em>&#8220;</p></blockquote>
<p>A casa do Ronaldo era o ponto de encontro de uma grande turma que tinha pequenos subgrupos (grande mesmo - num piquenique que reunimos quase todo mundo, foram mais de setenta pessoas). Era lá onde todos se encontravam nas sextas-feiras e se dividiam em turmas menores para fazerem programas de acordo com seus interesses. Obviamente, havia algumas garotas ali que me interessavam. Antes de sair, batíamos papo, jogávamos, bebíamos um pouco, tocávamos violão e cantávamos. Eu era um dos violeiros.</p>
<p>Aprendi a tocar violão aos quinze anos. Muito antes, minha mãe havia tentado que eu e meu irmão aprendêssemos música com um professor particular, mas não deu certo - em dois meses, desistimos. Aprendi mais tarde, cabulando as aulas do ginásio com uma turma de colegas músicos, motivado pela popularidade que tocar um instrumento oferecia. Infelizmente, nunca pude cantar - minha voz é quase fanhosa e não tem extensão nem para cantar o &#8220;Samba de Uma Nota Só&#8221;. Mas eu podia compor, o que compensava um pouco o meu fraco desempenho vocal. Compunha músicas sobre qualquer coisa que me desse na telha.</p>
<p>Certa vez, fiz uma canção que falava sobre o prazer e a liberdade que eu e o Ronaldo sentíamos de caminhar a pé nas madrugadas de São Paulo. A música, denominada &#8220;Trevas Urbanas&#8221;, acabou se tornando muito popular na nossa turma. Era uma balada simples, de melodia fácil e letra ingênua, embalada pelos acordes de sol e dó maiores. Uma música boba, feita por um garoto de 18 anos dos anos setenta. Era comum pedirem para eu tocá-la para que todos cantassem.</p>
<p><em> - &#8220;Toca aquela balada, Rubão!&#8221;</em></p>
<blockquote><p>&#8220;<em>Gosto de olhar os prédios a luzir na imensidão,<br />
Gosto de olhar o luar embaçado de poluição.<br />
Há guardas noturnos com medo de achar, correndo, um ladrão.<br />
Coisas que a noite procura ocultar da população.</em>&#8220;</p></blockquote>
<p>A canção tornou-se emblemática para mim e para o Ronaldo. Cantávamos à capela em várias ocasiões durante a noite: bêbados, voltando para a casa, ou quando identificávamos uma determinada situação com algum trecho da música. Não demorou muito e substituímos o termo &#8220;sair para a noite&#8221; por &#8220;sair para a <em>balada</em>&#8220;. O termo pegou. Em breve, a turma toda utilizava &#8220;<em>balada</em>&#8221; ao se referir a qualquer programa noturno.</p>
<p>Ao ouvir a molecada hoje em dia falando &#8220;<em>balada</em>&#8220;, ver o termo utilizado na TV ou em qualquer outra situação, sinto algo estranho, como se tivesse sido testemunha ocular anônima de um importante evento histórico: a gênese de uma gíria. Perdi o contato com o Ronaldo por décadas  e recentemente o encontrei pelo Orkut. Querendo saber se ele se recordava da história, perguntei-lhe sobre o assunto inevitável. Recebi dele a seguinte resposta:</p>
<p><em> - &#8220;Pois é, cara! A gente devia ter patenteado! A gente ia estar milionário!&#8221;</em></p>
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		<title>Location, location, location</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 18:59:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daerson Garcia</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Pois Então...]]></category>

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		<description><![CDATA[As novas (im)possibilidades do GPS]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente me convenceram a comprar um GPS. Do dia para a noite uma legião de amigos passou a não se perder nem se atrasar para seus compromissos e encontros. Os velhos Guia Rex desfolhados sumiram dos porta-luvas e os taxistas passaram a viver num mundinho ´Need for Speed´. Basta digitar o endereço e seguir a setinha que você chega em qualquer lugar. Até o meu pai, que sabia de cor todas as rodovias do país e as suas principais paradas, comprou um. Então, não teve jeito, tive comprar um.</p>
<p>Depois de muito pesquisar acabei encontrando um modelo perfeito para o meu uso e que cabia no meu bolso. Um aparelhinho chamado ‘Generic GPS’, fabricado na China, importado do Paraguai e comprado numa banca de camelô na Santa Efigênia. Garantia total de qualidade.</p>
<p>Eu realmente fiquei muito empolgado com meu novo aparelho. Até que usei ele pela primeira vez. Liguei o bichinho, coloquei o endereço do destino e, de repente, um chinês maluco começou a gritar comigo:</p>
<p>– XING-XAU-YING!<br />
– Hein?<br />
– XING-XAU! XING-XAU! YIIIIIING!</p>
<p>Cinco minutos depois, desliguei o GPS e resgatei o velho Guia Rex. Em casa, em alguns fóruns pela internet, descobri que aquela era a configuração padrão do aparelho e que tinham um milhão de outros pacotes de configuração que eu podia baixar e usar. Ao longo dos dias seguintes, experimentei algumas configurações. As melhores foram:</p>
<p>. Pacote Mineirinho: o mais simples de todos. Depois de entrar o endereço destino, ele só tinha duas frases: um ‘é logo ali, sô!’, que significava que o lugar ficava num raio de cem quilômetros, e um ‘Esse trem é longe demais!’, que vocês podem adivinhar o quão longe fica.<br />
. Pacote Cartoon: Zé colméia, Pernalonga, manda-chuva, Johnny Bravo e outros personagens clássicos dos desenhos para te ajudar no seu caminho. Destaque para o Salsicha, que sempre que você erra o caminho, começa a gritar ‘Scooby-doo, cadê você?’<br />
. Pacote do gaguinho: ‘Vi-vi-vi…Vi-vi-vi.Vi-vi-vi…Ihhh, já pa-passou…’<br />
. Pacote esposa: a cada cinco quilômetros, uma voz feminina diz ´Acho melhor para e pedir informação. Melhor parar e pedir informação’.<br />
. Pacote filhos: a cada quinhentos metros eles cantam ‘já chegou? Já chegou? Já chegou?’ e a cada dez quilômetros, uma criança começa a chorar e pedir para ir no banheiro.</p>
<p>No final das contas descobri que um GPS não serve apenas para te levar de um lugar ao outro, mas também para te fazer companhia, te divertir ou te irritar ao longo do percurso.</p>
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		<title>Orgulho de ser brasileiro</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Aug 2008 18:56:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela Macedo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sobretudo]]></category>

		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[O vírus da Olimpíada]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No mês da Olimpíada da China, 190 milhões de pessoas voltarão a experimentar um sentimento que já virou slogan de campanha publicitária: o orgulho de ser brasileiro. E mais, irão desenvolver um súbito – e temporário – interesse por modalidades esportivas que nunca ouviram falar. Chega a ser comovente.</p>
<p>Aliás, não precisa esperar o início dos jogos pra saber do que eu estou falando. No ano passado, homens, mulheres e crianças gritaram ‘vai, Brasil!’ para um desconhecido vestindo um capacete engraçado e um colete emborrachado sobre um pijama branco. Soltando gritinhos, ele chutava outro rapaz vestindo o mesmo traje. Depois de alguns minutos dessa briga estranha, os juízes decidiram que o ‘nosso brasileiro’, por algum motivo que menos de 1% dos torcedores conhecia, merecia ganhar a luta e a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Panamericanos do Rio. Pronto, o taekwondo se transformou no assunto de onze em cada dez rodas de bate-papo naquela semana.</p>
<p>Outro sujeito que desperta o mais nobre sentimento nacionalista pratica um esporte que a maioria de nós, por mais que tente, nunca vai experimentar: o iatismo. Classe Laser. Não, classe Star. Enfim, é um barquinho desses com vela. E não é que o danadinho é bom mesmo? Há algumas olimpíadas, ele aparece nos noticiários com sua medalha no peito, carregando a bandeira verde-amarela. Só o nome é que não ajuda muito. Quantos Robert Scheidt da Silva você conhece? Não importa. Nasceu no Brasil, é brasileiro.</p>
<p>Mas eu não me abalo. Não, senhor. Eu sou uma cidadã consciente, politizada e me preocupo com questões realmente importantes. A corrupção no governo, a saúde pública, o desmatamento da florest… Ah, que se danem as questões importantes! Com licença que eu vou pegar minha bandeirinha e correr pra frente da TV. Daqui a pouco começam as eliminatórias do tiro com arco e tem brasileiro na disputa! Vai, Brasil!!</p>
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